Polícia Civil

Estado de Sergipe

30 de dezembro de 2020, 11:25

Perícias em entorpecente: Laudos do IAPF consolidam investigações da Polícia Civil

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Mais de 2,2 mil laudos foram emitidos e um liquidificador industrial utilizado na adulteração de droga foi periciado em Sergipe

O Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF) conta com o laboratório de química forense, que é responsável pela realização de perícias em diversas substâncias químicas, como as entorpecentes. Neste ano de 2020, a unidade emitiu 2.267 laudos periciais – de um total de 2.751 requisições – relacionados às drogas apreendidas pelas forças de segurança pública em Sergipe. Os exames periciais seguem em andamento na instituição e há 214 amostras de substâncias entorpecentes sendo analisadas pelos quatro peritos criminais do laboratório de química forense do IAPF.
 

O número de drogas enviadas para análises no IAPF, no primeiro semestre deste ano, foi superior ao mesmo período do ano passado. Enquanto que nos primeiros seis meses de 2019 foram 1.200 solicitações de exames e laudos periciais relacionados aos entorpecentes, no período, já neste ano de 2020, foram 1.800 solicitações de perícias nessas substâncias. O trabalho dos peritos criminais consiste na identificação dos componentes presentes nas substâncias apreendidas e encaminhadas ao laboratório, o que contribui com as investigações e com os inquéritos policiais. 
 

O IAPF realizou, neste ano de 2020, 826 análises de substâncias sugestivas de cocaína ou crack; 1.374 de maconha; 35 de medicamentos e 32 análises de drogas sintéticas e outros materiais correlatos. Todo material que é apreendido pelas Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, com suspeita de substância ilícita, são encaminhados à perícia para comprovação, como detalhou o perito criminal Nailson Correia. “Todas as drogas brutas apreendidas são encaminhadas para análise e a devida identificação. Não basta a identificação visual. São necessárias técnicas robustas que realmente confirmem aquela substância”, mencionou.
 

Liquidificador industrial apreendido
 

Neste ano, o IAPF recebeu a solicitação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, para a perícia em um liquidificador industrial, que estaria sendo utilizado na adulteração de substâncias entorpecentes, assim como explicou o perito criminal. “Pela primeira vez, desde 2014, foi encaminhado a esse Instituto um liquidificador de grande porte, geralmente utilizado para adulterar cocaína bruta. Junto com esse liquidificador industrial foi encaminhada uma série de uma substâncias que identificamos como comumente utilizadas para a adulteração dessa droga”, evidenciou Nailson Correia.
 

O perito criminal destacou que o equipamento não aponta para a produção da droga em Sergipe, mas indica que a adulteração do entorpecente também pode estar sendo feita no estado. “A produção da droga em Sergipe ainda não está devidamente confirmada, as investigações é que irão delimitar essa questão. O que podemos afirmar é que a droga bruta, que chega a Sergipe, agora está sendo adulterada e misturada no próprio estado, ganhando características particulares. Ao analisarmos, com os nossos equipamentos, conseguimos verificar que as substâncias identificadas são, geralmente, associadas a adulterantes de cocaína”, destacou.
 

Investigações
 

Os exames e laudos periciais são fundamentais para o embasamento científico dos inquéritos policiais referentes às investigações que são conduzidas pela Polícia Civil, conforme salientou o delegado Hildemar Rios, do DHPP. “O trabalho da perícia é de extrema importância para a investigação, pois traz mais ciência para o inquérito policial. Através do trabalho investigativo completo em que se tenha não só a parte testemunhal e relatórios de investigação policial do que é colhido em campo, mas é importante também o suporte da perícia, que traz elementos mais difíceis de serem desconstituídos”, ressaltou.
 

O delegado reiterou a importância da verificação científica nos procedimentos investigativos, que são encaminhados à Justiça. “A perícia em si, como ela trabalha se valendo de ramos da ciência, que são mais objetivos, então há uma prova que é mais difícil de ser contestada, ao contrário de um testemunho. Então a estruturação da perícia, no âmbito da Secretaria da Segurança Pública (SSP), trouxe um avanço muito grande, pois de certa forma nos afasta cada vez mais daquela visão de que investigação é deficitária e sem base científica. Só faz fortalecer o trabalho de investigação”, pontuou Hildemar Rios.